quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SUPER-HERÓIS OU VILÕES?

Procuramos fazer com que as animações que estão sendo postadas neste blog estejam sempre dentro do contexto do texto que segue logo abaixo. É uma tarefa difícil, mas estamos aí!
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UM ACHA QUE É DEUS E O OUTRO TEM CERTEZA

A história está repleta de personagens que, ao longo dos tempos, tiveram um papel de relevo no que se refere à construção da sociedade de várias épocas.
De um jeito ou de outro foram pessoas que se destacaram em suas áreas, cada um ao seu modo, contribuindo de forma positiva ou negativa dentro dos episódios em que foram protagonistas.
Da Idade Média até a história contemporânea podemos destacar vários deles e, com certeza, nos esqueceremos de muitos.
Uns serão lembrados pelo bem que praticaram e outros, ao contrário, virão à mente pelos malefícios que proporcionaram para a raça humana.
De uma maneira ou de outra, porém, sempre serão lembrados, em qualquer tempo. E o bom do tempo é que até dos momentos ruins podem-se tirar ensinamentos que serão úteis ao longo das gerações.
Muitos desses personagens históricos, dentro de uma concepção megalomaníaca, se consideravam “deuses”, isto é, pessoas “acima do bem e do mal”, “o centro das atenções” e capazes de cometer as maiores barbáries para satisfação de seus “egos inflados” e de seus interesses escusos.Interesses esses que, na maioria das vezes não contemplaram o bem coletivo.
Infelizmente este tipo de situação ainda acontece no mundo contemporâneo. Guardadas as devidas e proporcionais comparações com os horrores da história, acontecem em qualquer localidade, localizada em qualquer região e de todos os portes. Acontece, podem acreditar.
Vez ou outra nos deparamos com "megalomaníacos", com os "super-heróis tupiniquins", com os "sabe-tudo", com os "deuses"
Com certeza, acontece!
Você já deve ter escutado a expressão “ele se considera um deus” ou coisas do tipo, “Ela se acha a maioral”, “ele se acha o tal”.
Com o passar dos anos a rapaziada moderna abreviou os termos para “ele ta se achando”. No fundo quer dizer a mesma coisa: “o cara ta se achando o maioral”.
O “Tá se achando” tipifica os comportamentos de pessoas que, por alguma razão, se sentem superiores e assim agem dentro da vida em sociedade. São pessoas que se julgam e se auto-intitulam espécies que estão num nível mais elevado do que as demais.
Até fazem propaganda disto como forma de buscarem o respeito e da admiração dos demais, como se só isto bastasse para conquistá-los. Entendem que as outras pessoas lhes devem subserviência, devem ter medo de suas posturas e com isso, precisam ficar submissas. Se sentem mesmo como “deuses”, quer seja na vida social, quer na profissional e até no cenário político.
Querem ser considerados “super-heróis”. E entram numa profunda decepção quando esta auto-condição não é referendada pela opinião popular. No campo político, por exemplo, esses pseudo-deuses passam por "bobões" e por "marionetes" nas mãos de pessoas muito mais sabichonas que eles.
A psicologia entende que este tipo de pessoa é portadora de um “Complexo de Superioridade”, o que, na verdade, a ciência já definiu como tentativa de compensar sensações de inferioridade que lhe são inerentes.
Da literatura pertinente ao assunto destacamos que “o sujeito que desenvolve este sentimento vê nos outros, julgados por ele como seus subordinados, traços de inferioridade que na verdade pertencem a ele, ou seja, trata-se de um jogo de projeções. O ser com “Complexo de Superioridade” não consegue equilibrar em seu íntimo seu potencial e seus limites, considerando-se alguém com valia e aptidão superestimadas. Suas perspectivas sobre si mesmo são extremamente elevadas e ele acredita ter um poder de realização muito maior do que realmente possui”.
E os estudos vão mais além: “É neste momento que o homem cria as famosas máscaras, tão presentes na rotina da nossa sociedade, para que se pareça melhor que os outros. Muitas vezes isolado do convívio social por alguma razão ou mergulhado em devaneios, o indivíduo pode recorrer a este Complexo como uma forma de sobreviver perante sua inadaptação à sociedade. Normalmente ele apresenta uma vaidade incomum, que se reflete na sua própria maneira de se vestir, nas suas ações e atitudes, até mesmo no modo de falar, algumas vezes exagerado e presunçoso. Tentando parecer melhor que todos, o sujeito se revela intolerante. Diante do olhar social estas pessoas são, em alguns casos, caridosas, voluntárias em trabalhos beneméritos, preocupadas com o bem do próximo e da comunidade, mas simultaneamente ocultam no seu âmago o sentimento de serem melhores e mais nobres que as outras”.
Nos meios acadêmicos da área do jornalismo, é comum se ouvir uma famosa frase de Ricardo Noblat: "Médico acha que é Deus. Jornalista tem certeza”.
Qualquer dia desses, para o bem da história contemporânea e do futuro, poderemos voltar a esse assunto, abordando "causos" como a malfadada intenção de união desses auto-intitulados super-heróis.
Até lá, se houver oportunidade.

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