quinta-feira, 23 de outubro de 2008

LEILÃO DE POLÍTICOS

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O primeiro desafio do próximo governo municipal

A Cooperguaçu, responsável pela marca “Coperfrango”, é a maior empresa de Descalvado e responsável pela expressiva fatia de 30% das divisas geradas e que retornam ao município.
É inegável (e nem poderia ser diferente) que tudo o que se refere à empresa e a avicultura tem um sério reflexo na economia local. Com 1.400 funcionários diretos trabalhando na Cooperguaçu, as oscilações do setor avícola e do mercado consumidor mexem com a nossa economia e com todos nós.
A avicultura ocupa a 4ª posição no ranking do agronegócio do Estado de São Paulo e 35% da produção brasileira de carne de frango é voltada para o mercado externo.
Assim, o setor tem enfrentado várias crises, como a da gripe aviária ocorrida em 2006. Naquele ano o consumidor brasileiro viu embalagens de carne de frango escritas em árabe e russo por conta do excedente da produção que não foi comercializada no exterior. O que foi bom para os consumidores foi péssimo para os produtores.
Agora surge a crise financeira mundial, que deve desacelerar o consumo e, mais uma vez, penalizar os avicultores.
A Sadia, uma das gigantes do mercado, anunciou um prejuízo de R$ 760 milhões com operações de câmbio.
A “Frango Forte”, segunda maior empresa do ramo e com exportações para Europa, Ásia e Mercosul, suspendeu o fornecimento de ração a produtores integrados. A direção da empresa informou que está devendo cerca de R$ 4 milhões a aproximadamente 400 integrados. A crise foi agravada pela falta de crédito. Sem recurso para custeio da ração, frangos estão morrendo de fome. Em uma única granja de Conchas, 30% dos 75 mil frangos já morreram, segundo informações da assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Hoje, sexta-feira, dia 29 de outubro, uma reunião estará acontecendo na Secretaria de Estado da Agricultura, para que o Estado possa intervir na crise da avicultura que tomou conta do interior de São Paulo.
É o momento de ficar atento e planejar bem as atividades segundo os especialistas do setor. “Se não houver planejamento na produção, a desova de carne produzida para fora poderá, mais uma vez, ocorrer no país”, alerta um deles. Com mais esta crise da avicultura, principal geradora de emprego e renda no município, os candidatos eleitos, prefeito Luis Antonio Panone e seu vice-prefeito Antonio Carlos Reschini (Becão), já assumem o governo municipal em 2009 com um grande desafio.
Um desafio que, por conta das esferas envolvidas com o mercado de frango, foge um pouco das suas alçadas e pouco se relaciona com ações municipais específicas no campo prático. O trabalho dos governantes é no campo político. E no campo político o trabalho poderá também ajudar a Cooperguaçu e a avicultura local.
É o momento de “arregaçar as mangas” junto com o empresariado descalvadense ligado à avicultura e buscar alternativas e soluções para o enfrentamento da crise.
É hora de se recorrer aos deputados federais, às instituições de créditos, às empresas exportadoras e entidades da classe, para, pelo menos, colocar o aparato de fomento econômico municipal para auxiliar o setor.
Mas, um momento ... é preciso fazer uma pergunta: qual é o aparato municipal de fomento e desenvolvimento econômico que dispomos dentro da atual administração?
Qual foi a última iniciativa da atual administração para fortalecer a nossa economia? O que fez o atual governo para valorizar o “frango” como produto forte da economia local?
Quais os canais que os atuais governantes ajudaram a abrir para valorizar a produção de frangos no município? Será que pelo menos um representante municipal se fará presente na reunião de hoje na Assembléia Legislativa?
Acho desnecessário responder estas indagações, não é mesmo?
A culpa é do atual governo municipal pela crise na avicultura e suas conseqüências dentro da maior empresa local ligada ao ramo avícola? Não, evidentemente que não!
Mas, os governantes não podem assistir, passivos e omissos, a chegada de conseqüências negativas para toda a economia local, em caso de maiores dificuldades da Cooperguaçu com o agravamento da crise na avicultura.
A culpa pode ser atribuída à empresa pelos momentos difíceis pelos quais está passando neste cenário econômico? Para responder esta pergunta somente pessoas capacitadas e que tenham pleno conhecimento sobre a gestão da empresa e o sobre o setor avícola.
A população já fez a sua opção por mudanças no campo político.
No campo empresarial a história é outra.
O certo é que, 2009 começa com muita preocupação e com grande desafios para a dupla Panone e Becão no comando da Prefeitura Municipal.

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