terça-feira, 13 de julho de 2010

COSTUMES DE ANTIGAS TARTARUGAS

          Imagine uma pequena floresta rodeando um pequeno pântano, cachoeiras, vales e uma bela paisagem, abrigando uma infinidade de animais.
          Há algum tempo atrás, antes da renovação conquistada pela bicharada, algumas tartarugas é que cuidavam de toda a administração do pequeno lugarejo. Governavam, assim, outras tartarugas, os sapos, as rãs, as cobras e os lagartos, alguns peixes e vários insetos que povoam a pequena floresta..
          Um dia, depois de muitos anos no poder praticando as “mesmices” de sempre, as tartarugas governantes resolveram fazer uma expedição pelo pântano. Queriam conhecê-lo melhor, descobrir os anseios dos animais que o habitavam.
          Antes do trabalho, porém, fariam um piquenique para discutir algumas idéias e planos para o futuro. O que motivava todas elas, na verdade, era o piquenique.
          As tartarugas, sendo naturalmente lentas, como todos sabem, levaram praticamente oito anos se preparando para o passeio. Com uma preparação durando todo este tempo, imaginavam elas que nada poderia sair errado.
          Finalmente chegou o grande dia. A Marcha das Tartarugas para o grande piquenique.
          Os quelônios saíram da “Prefeitaruga” (nome dado à Prefeitura das tartarugas), em caravana, para procurar um lugar apropriado para o lanche. Imaginem vocês a ansiedade de todas após tanto tempo planejando o passeio.
          Depois de dois anos em viagem, num ritmo que muitos tinham dificuldades em acompanhar, encontraram um lugar ideal!
          Pararam naquele bonito local à sombra de grandes árvores, próximo a um pequeno riacho e uma queda maravilhosa. Por aproximadamente seis meses as tartarugas limparam a área, arrumando tudo direitinho.
          Ao terminarem o trabalho o líder do grupo (que gostava de dar “tapinhas nos cascos” dos companheiros) ordenou que as cestas com as guloseimas fossem abertas para todos se deliciarem.
          Foi aí que descobriram que tinham esquecido o sal. E um piquenique sem sal é um desastre para as tartarugas. Neste ponto, todas chegaram a um consenso.
          Após uma rápida discussão, que demorou uma semana, uma das tartarugas foi escolhida para voltar à “Prefeitaruga” e pegar o sal. A pequena tartaruguinha esperneou e chorou, mas notando que não tinha como escapar da missão, concordou em ir.
          Apenas impôs uma condição: ninguém comeria até que ela retornasse. Ela queria comer aquilo que todas as outras tartarugas próximas do líder comiam. Não concordava que a parte das grandes porções fossem destinadas exclusivamente ao tartaruga-mor e aos puxa-sacos-tartarugas.
          Após mais uma semana de grandes discussões todas concordaram com o pedido e ela empreendeu marcha para retornar e buscar o sal.
          Três anos se passaram... cinco anos... Seis anos...
          Daí, ao completar o sétimo ano de espera, com todos não agüentando mais conter a fome, o líder-tartaruga anunciou: - “Não dá mais para esperar o sal, vamos todos comer, para depois trabalharmos em prol do nosso pântano.
          Anunciou o início do piquenique e começou a desembrulhar um dos suculentos sanduíches.
          Nesta hora, a pequena tartaruga que havia sido escolhida para apanhar o sal, saiu de trás de uma árvore e gritou:
          - Viu! Eu sabia que vocês não iam me esperar. Agora é que eu não vou mesmo buscar o sal.
         
         Moral desta história chinesa: Por esses e outros costumes de antigas tartarugas-governantes é que o pântano está do mesmo jeito até hoje

domingo, 11 de julho de 2010

SAPO DE FORA É O QUE CHIA



          As pessoas me perguntam por que é que os meus textos sempre fazem referência à política, com críticos aos políticos.
          Discordo, em partes. Gosto da política, vivo no meio político, mas não concordo com certos políticos, principalmente os populistas que insistem em adotar práticas covardes e praticam todo tipo de sujeira para se manterem ou voltarem ao poder.
          Já disse em outro texto que errar todo mundo erra. Mas é preciso, ao menos, se preocupar com a manutenção de certos princípios na vida pública, já que os agentes políticos devem trabalhar de acordo com a vontade da maioria da população.
          Por esta razão é que as mudanças são tão combatidas pelo grupo de políticos que se especializou em manipular e se aproveitar da opinião pública, fazendo dos governos o quintal da sua casa, ou seja, fazem o que bem entendem para satisfazer os seus interesses pessoais e financeiros.
         Temos inúmeros exemplos de políticos que se enriqueceram e enriqueceram gente próxima enquanto estiveram no poder, fazendo todo o tipo de “maracutaia” com o dinheiro público.
          Por outro lado, também temos aqueles políticos bem intencionados, que apesar de uma postura austera e capaz na administração pública, não conseguiram se manter no poder e abriram espaço para a volta dos “corruptos” e “incapazes”.
          É para esse último grupo que faço uma adaptação de um texto do Paulo Coelho.
          Segundo o escritor, vários estudos biológicos demonstram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos o líquido. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura e morre quando a água ferve. Morre inchado e feliz.
          Já outro sapo que seja jogado nesse recipiente com a água já fervendo, salta imediatamente para fora.
          Meio chamuscado, porém vivo!
          Às vezes, nós agimos como sapos fervidos. Não entendemos, não percebemos ou não nos importamos com as mudanças. Achamos que está tudo muito bom, ou que é questão de tempo para as coisas melhorarem.
          Algumas vezes estamos prestes a morrer, mas, mesmo assim, continuamos boiando, apáticos, enquanto a temperatura da água aumenta a cada minuto.
          Acabamos morrendo, inchadinhos e felizes, sem termos percebido as mudanças à nossa volta.
          Paulo Coelho termina seu texto dizendo que há sapos fervidos que ainda acreditam que o fundamental é a obediência, e não a competência: manda quem pode, e obedece quem tem juízo.
          O que você prefere e como você tem se comportado em sua vida? Esta boiando e prestes a morrer ou pretende sair meio chamuscado de uma situação, mas vivo e pronto para agir e reagir.

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